Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2020

QUERO IR PARA MARTE

É uma verdade universal na narrativa histórica contemporânea de Portugal: Mário Soares salvou o país de uma ditadura comunista. Ora, mais uma vez convém regressar a Rui Mateus e ao seu livro "Contos proibidos, memórias de um PS desconhecido ". Em 1973 Mário Soares assina um acordo com Álvaro Cunhal. Isto, meses depois de ver aprovada a adesão da Acção Socialista à internacional Socialista, depois de vencidas as reticências dessa adesão colocadas por partidos socialistas de países como Espanha, Alemanha, Suécia, Holanda ou Reino Unido, com o argumento de que a Acção Socialista não tinha histórico de luta sindical pelos direitos da classe operária. Convém lembrar aqui, que a Acção Socialista era formada por intelectuais e burgueses anti regime Salazarista, quase todos no exílio. Ora, isto constituía um problema para a organização política que defendia os trabalhadores. Essa resistência foi vencida por Soares basicamente à custa dos argumentos de que era preciso instaurar um...

A União Totalitária.

Rui Mateus no seu livro censurado "Contos proibidos, memórias de um PS desconhecido " deixa bem claro que no PS sempre houve uma regra que nunca mudou: quem controla os ingressos de dinheiro, controla o partido. Uma boa parte do livro é dedicada às diversas formas utilizadas para obter e legalizar esses ingressos. Também nesse livro, e já depois da sua edição até aos dias de hoje fica patente que o ps sempre foi um partido dividido: Soares/Zenha; Soares/Gama/Constancio/Sampaio/Guterres ; Socrates/Assis/Seguro/Alegre/Costa/Ana Gomes. Também nesse livro (tratado fundamental para compreender o partido socialista e o regime da III República ) se explica como foi projectada e desenhada a estratégia e a campanha das eleições presidenciais de 1986. Estratégia essa desenhada por uma consultora norte americana que, perante a ideia fixa de Soares a todo o custo evitar as candidaturas de Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo para evitar a divisão de votos no espaço do PS c...

O POVO QUE OS PARIU.

Não sendo idoso ou sequer velho, já cá ando há tempo suficiente para me lembrar de umas quantas coisas, nomeadamente relacionadas com política. Nascido uns meses antes do 25/04/19974 em território ultramarino, com toda a turbulência política que se lhe seguiu, crescido no seio de uma família de espoliados de Angola revoltados contra tudo o que o movimento progressista marxista revolucionário nos queria impor e por tudo o que nos tinham roubado e respectivas traições, numa pequena aldeia do centro de Portugal onde as autoridades da terra ainda eram a professora, o padre e o presidente da junta que tinha entretanto destronado o regedor por este não ter poder nem orçamento para distribuir prebendas em troca de favores aos amigos dos copos que chupavam nas adegas dos pobres desgraçados. Foi neste contexto altamente politizado em que a política e as politiquices ocupavam noventa por centos das conversas nos cóios tabernas e cafés - até porque o Benfica por estes anos não deixava esp...
ARTIGO 21º Nem é tanto uma questão pessoal. Foi também a vida que me ensinou a dar o beneficio da dúvida. É óbvio que não vou confiar um milhão de euros à primeira pessoa que encontrar, até porque não tenho um milhão de euros, mas digamos cem euros. Desconfiar das pessoas sem as conhecermos é tão mau como confiar cegamente em alguém nas mesmas circunstancias. Aniquila à partida qualquer possibilidade de relacionamento, de amizade ou negócio. É assim, que normalmente dou o beneficio da dúvida a toda a gente, não tendo razão para confiar absolutamente ou para desconfiar. Estou a falar de relações entre mim e outras pessoas ou empresas, que são acima de tudo também pessoas. Se as pessoas demonstrarem ser merecedoras dessa confiança, ou desse beneficio da dúvida, então estaremos a criar condições para uma maior confiança e reforço da relação. Se por outro lado as pessoas se revelarem não serem merecedoras dessa confiança então aprendemos a conhecer melhor as pessoas, ai...