ARTIGO 21º
Nem é tanto uma
questão pessoal. Foi também a vida que me ensinou a dar o
beneficio da dúvida.
É óbvio que não
vou confiar um milhão de euros à primeira pessoa que encontrar, até
porque não tenho um milhão de euros, mas digamos cem euros.
Desconfiar das
pessoas sem as conhecermos é tão mau como confiar cegamente em
alguém nas mesmas circunstancias. Aniquila à partida qualquer
possibilidade de relacionamento, de amizade ou negócio.
É assim, que
normalmente dou o beneficio da dúvida a toda a gente, não tendo
razão para confiar absolutamente ou para desconfiar.
Estou a falar de
relações entre mim e outras pessoas ou empresas, que são acima de
tudo também pessoas. Se as pessoas demonstrarem ser merecedoras
dessa confiança, ou desse beneficio da dúvida, então estaremos a
criar condições para uma maior confiança e reforço da relação.
Se por outro lado as pessoas se revelarem não serem merecedoras
dessa confiança então aprendemos a conhecer melhor as pessoas,
ainda que esse ganho de conhecimento implique necessariamente uma
perda de valor material na pior das hipóteses.
Vem esta
introdução a propósito da forma como os senhores donos deste
governo da «republica portuguesa» geriram a questão do combate ao
novo Corona virus e à Covid 19.
Não vem sequer
ao caso a questão da gravidade do vírus ou da doença que provoca.
Se se justificavam medidas de confinamento, se estas vieram cedo ou
tarde. Não vamos entrar por aí agora.
O que me trás
aqui é a forma como actuou o governo.
Ainda o governo
não tinha a mínima noção do que tinha ou queria fazer e já a
sociedade civil se tinha mobilizado para lidar com a situação: uns
reclamavam o encerramento total ou parcial das escolas, outros do
comercio, outros dos eventos desportivos, das empresas, dos mercados,
outros já estavam a trabalhar a partir de casa ou já tinham mesmo
ficado com os filhos em casa impedindo que estes fossem à escola, e
tudo o que envolvesse uma concentração de pessoas no mesmo local.
Mais uma vez lembro que não está em causa a viabilidade ou eficácia
de todas essas medidas no combate à propagação do vírus.
Estamos ainda
numa situação em que ministros nos dizem que dificilmente o vírus
cá chegará, que nos aconselham a abastecer de viveres na horta dos
amigos, enquanto nos prometem que a pandemia será uma excelente
oportunidade de negócio para os nossos agricultores e industria, e
até que podemos e devemos visitar os velhinhos nos lares.
É perante este
estado de inquietação e medo que se vai instalando como um rastilho
de pólvora na sociedade, que o governo português contra todas as
recomendações dos especialistas na matéria, nomeadamente o
Conselho de saúde publica que disse claramente ser um disparate
encerrar as escolas, que em menos de 24 horas o primeiro ministro
decreta o encerramento das mesmas.
No seguimento destas medidas nunca devidamente explicadas e justificadas, Presidente da republica e governo preparam o decreto do estado de emergência.
No seguimento destas medidas nunca devidamente explicadas e justificadas, Presidente da republica e governo preparam o decreto do estado de emergência.
Convém agora fazer aqui um pequeno parênteses para lembrar que na altura que as tv's todas faziam chamadas para Tóquio em directos intermináveis a entrevistar a cada cinco minutos um português retido num navio por estar infectado com o novo corona virus, que justificou inclusivamente a especial atenção do presidente da republica e do governo com as pantominices da praxe geringoncional, as autoridades competentes tal como a DGS nos lembravam que era impossível obrigar as pessoas que chegavam ao pais vindas de zonas afectadas a fazer quarentena porque assim não o autorizava a constituição da republica portuguesa, pelo que o máximo que se poderia fazer seria aconselhar amigavelmente as pessoas a ficarem em casa sem contactos durante um período mínimo de quinze dias.
Ora é assim que
chegamos ao primeiro decreto do estado de emergência, onde o
primeiro ministro garante que o decreto serve apenas e só para
agilizar a tomada de certas medidas que de outra forma poderiam ter
que demorar bastante tempo, mas fazia questão de garantir que a
democracia não estava suspensa, nem que em situação alguma seriam
violados os direitos, liberdades e garantias das pessoas.
É aqui que entra
o tal beneficio da duvida que o governo nunca deu aos cidadãos que
deveria servir, usando pelo contrário todo o poder que tinha mais o
que lhe é concedido pelo estado de emergência usando o tal
argumento da guerra para impor uma ditadura sobre a sociedade que já
tinha mostrado e dado provas de ser a tal sociedade madura que
teimava em não aparecer depois do golpe de 25 de Abril de 1974. E
quando essa maturidade aparece é precisamente aí que regressa o
mais bafiento dos paternalismos Salazaristas.
O governo usou e
abusou de todos os poderes ao seu dispor para dispor livremente da
liberdade das pessoas. Em vez de aconselhar as pessoas e confiar
nelas, a lidar de forma livre e responsável com a pandemia, em vez
de se dirigir aos país para explicar, elucidar e acalmar o medo e o
pânico já instalados, o que o governo fez foi agravar ainda mais
esse medo e esse pânico cavalgando a onda mediática para instaurar
um regime de autoridade e opressão sobre as pessoas, com policia nas
ruas literalmente a usar a ameaça do exclusivo da força detido
pelo estado para impor a vontade do regime.
Foi precisamente
no momento em que ao fim de 46 anos a sociedade deu mostras de
maturidade e responsabilidade democrática e civil, no fundo que deu
mostras de ser livre, que o estado impôs uma repressão a essa
mesma liberdade.
Em suma, no lugar
de dar o beneficio da dúvida, o estado aproveitou para violar e
trair toda a confiança da pouca que lhe restava.
Depois veio o
segundo e o terceiro estado de emergência com o respectivo agravar
das violações dos direitos dos cidadãos onde o estado nunca soube
dar o exemplo através dos membros do clã do regime. Estamos agora
já no estado de calamidade onde já nem a liberdade de culto é
autorizada em publico, mas onde já fizeram questão de esclarecer
que a festa do Avante se realizará apesar de eu não poder levar os
meus filhos livremente à praia.
Por fim chegam as intenções de usar o sinal dos telefones portáteis e drones para controlar as deslocações e aglomerações de pessoas.
Por fim chegam as intenções de usar o sinal dos telefones portáteis e drones para controlar as deslocações e aglomerações de pessoas.
E segundo a
versão oficial ainda não foram violados os direitos das pessoas,
imaginem como seria ou será quando lá chegarmos. Talvez um chip
com ligação à Internet e GPS no cachaço, ou uma coleira
electrónica como se usa nas explorações de gado.
Quando forem
abordados pelas autoridades do regime, aconselho o recurso ao artigo
21º da constituição da republica, uma vez que lá está e é o 21º
de entre 296 é porque deve ser importante, e como não me lembro de
alguma vez ter servido para alguma coisa é bom que venha algum dia a
ter uso, e reza assim:
Artigo 21.º
(Direito de resistência) Todos têm o direito de resistir a qualquer
ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de
repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível
recorrer à autoridade pública.
Parece-me
apropriado uma vez que é precisamente a autoridade publica que está
a ofender os nossos direitos, liberdades e garantias.
LIBERDADE OU
MORTE.
Comentários
Enviar um comentário